30 de janeiro de 2012

'cobarde.'

Ela começava a pensar que isto nunca mais ia acabar. Estava a ficar bastante frustrada consigo própria. Quando ficava frustrada, deixava sair longos suspiros e as suas mãos formavam punhos. Uma amiga dela viu-a a puxar os pêlos das sobrancelhas, ela explicou-se com « tenho farinha aqui. não sei como veio cá parár », mas era tudo sobre o prazer e a liberdade.
 Ela queria dizer que era forte, que aguentou com aquilo tudo sem nunca ter caído, mas isso seria uma grande mentira. Ela caiu, ela tropeçou, ela quis desistir. 'apenas uma miudinha estúpida sem objetivos', pensava ela de si. Dizia que era uma cobarde, que sempre que as situações onde se encontrava se tornavam desconfortáveis, ela fugia. Odiava confrontos, era um nível de honestidade demasiado elevado para ela. Gostava de ser imune a todos os insultos. Gostava que toda a gente a ignorasse, assim ninguém se queixava do feitiozinho dela. E também, se ninguém comunicasse com ela, nao havia maneira dela se magoar, pois nao?

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